26 de jan. de 2013
A Companheira
Pode entrar, amiga.
Vi que me esperavas
no portão de casa.
(Chegaste cedo, achei que demoravas.)
Sabes bem, não sabes?
Nunca fui com tua cara.
Mas que dizer? Sempre tivemos
Um ao outro - és minha irmã
(dessas que nunca se teve)!
Vem, Solidão,
Te sirvo um copo.
Beberemos
do veneno amargo
dessa noite longa
dessa dor sem fim...
14 de jan. de 2013
Angústia
Tenho entalada
Nos olhos, na garganta e nos ouvidos,
Poesia sem tamanho.
Quero gritá-la
Porque não consigo.
Dança em chamas,
- labareda -
corpo adentro,
parasita ingrato
poema intangível
que tudo toma e pouco dá.
Ou antes vibra
em tema instrumental
(violão solitário);
que entorta os sentidos
que rasga o peito
sem nada dizer.
(este último segredo me contou Raphael Rabello tão logo liguei o som)
25 de dez. de 2012
A Saber
Me pergunto se já te disseram
- em profundidade -
quão bonita tu és:
Pois tens no rosto um sorriso marcado,
De quem consuma a vida firmemente
E os olhos que brilham como cantam os passarinhos
(os passarinhos que cantam em gratidão à beleza do dia);
Pois tens o corpo formoso,
Desejoso e responsivo ao desejo;
e as mãos sedentas, cheias de carinho
e a boca precisa, que se abre ao beijo
em ritmo inequívoco... És o amor.
Pois tens um fogo - ah! teu fogo...
(Nele me queimei e tenho as memórias ainda em brasa)
Melhor não dizê-lo.
Pois tens por fim (?) esse teu movimento
no mundo: livre, solto, corajoso...
De quem não pertence a nada nem a ninguém
senão ao próximo instante, à próxima aventura,
à próxima emoção.
És irmã do sol, amante da lua.
És um encanto. E eu te quero
Como quero as surpresas de um fim de tarde
Que se pintam nos céus tão conhecidos
mas tão diversas e de tempo incerto.
21 de dez. de 2012
Buquê
Se cada moça que eu amei fosse uma flor
Eu juntaria e faria um buquê;
Eu sentiria em cada flor
a poesia
da tristeza e da alegria
de se amar uma mulher;
E no conjunto esse buquê então seria
a tão-viva-antologia
de um trovador qualquer.
26 de nov. de 2012
Pingo.
Um pingo. Um pingo.
q
u
e
e
s
c
o
r
r
e
à toa.
Ai, pingo a toa
vida boa
o
n
d
e
v
a
i
s
p
a
r
a
r
.
.
.
?
O Poeta
Num só momento, três amores vivos;
N'outro dia, o peito todo aberto.
Não como abraço
- como ferimento:
Rubro e pulsante
Latejante
Sangrando alto.
Assim faz o poeta:
Monta o barco, encara o mar...
E se acaso a sorte falha,
Traz consigo algo que valha:
A vela rota para sempre recordar.
22 de out. de 2012
Trovinha
Quem não vê as cores tuas
É na vida um triste ser:
Tem a luz nos olhos nua
E se furta esse prazer.
4 de out. de 2012
Segredo
Tu nem suspeitas.
Mas enquanto deitas
Na tua cama fria
Esquento meu peito
Nessa boemia
Cheia de defeito
Cheia de razão.
Meio copo cheio
Em noite de chuva
O whisky distrai
O que não alivia
E eu fico a buscar
A velha poesia
Num poema duro,
Mas de verso puro:
Puro desejar...
30 de set. de 2012
Presságio
Fernando Pessoa
"O Amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."
"O Amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."
1 de jan. de 2011
1 de janeiro de 2011
É ano novo, dia primeiro...
À minha frente, um papel em branco.
Tenho mão, caneta, ideias: sou livre.
Assusta.
O infinito se apresenta
Vestido de calendário;
Faz por bem. Do contrário,
Ia frouxa a finitude...
O infortúnio é ser poeta:
Estes sonhos, esta alma ao vento...
E estes olhos sedentos!
Não cabem em frascos de trezentos e sessenta e cinco dias
À minha frente, um papel em branco.
Tenho mão, caneta, ideias: sou livre.
Assusta.
O infinito se apresenta
Vestido de calendário;
Faz por bem. Do contrário,
Ia frouxa a finitude...
O infortúnio é ser poeta:
Estes sonhos, esta alma ao vento...
E estes olhos sedentos!
Não cabem em frascos de trezentos e sessenta e cinco dias
18 de out. de 2010
Resumo
No princípio era a chama,
E seu show de luzes!
Plantando cruzes
Num destino frio.
Depois,
sem ar nem peito para queimar,
poupou-se às cinzas.
E então,
Blasfemando a beleza a respirar na Morte ainda,
Juntaram-se alguns
E fizeram questão de cagar sobre elas.
E seu show de luzes!
Plantando cruzes
Num destino frio.
Depois,
sem ar nem peito para queimar,
poupou-se às cinzas.
E então,
Blasfemando a beleza a respirar na Morte ainda,
Juntaram-se alguns
E fizeram questão de cagar sobre elas.
13 de set. de 2010
Frente e Verso (Caminho)
É macio o chão que piso
e mais leves são meus passos.
Nos meus braços, tua ausência
Pesa leve, aconchegada.
Vou seguindo.
Para onde?
Saberemos, saberemos.
Vem no vento uma esperança!
É macio o chão que piso;
Sob a aurora infatigável,
Levo as marcas que me deste,
Peito forte como sempre.
Vou em frente!
Para onde?
Nunca soube. Saberemos!
É macio o chão que piso
Por queimarem tanto as chamas!
Temperando teus encantos
Reluzindo em cada canto...!
a dor...
e espalha
Vem o vento
É macio o chão que piso:
O chão que piso são as nossas cinzas.
e mais leves são meus passos.
Nos meus braços, tua ausência
Pesa leve, aconchegada.
Vou seguindo.
Para onde?
Saberemos, saberemos.
Vem no vento uma esperança!
É macio o chão que piso;
Sob a aurora infatigável,
Levo as marcas que me deste,
Peito forte como sempre.
Vou em frente!
Para onde?
Nunca soube. Saberemos!
É macio o chão que piso
Por queimarem tanto as chamas!
Temperando teus encantos
Reluzindo em cada canto...!
a dor...
e espalha
Vem o vento
É macio o chão que piso:
O chão que piso são as nossas cinzas.
13 de ago. de 2010
O Poeta vai ao Bar
Enquanto bebo, aqui,
Tal bebedor qualquer
Há outro em mim que bebe
Por trás da sebe
A figura de uma mulher...
Que em cada riso que me serve,
Em cada brilho que me traz,
Embriaga mais
Uma alma que ferve
Sem copo sequer.
Do que se fala
Essa gente que fala
que não mereces meu amor;
Essa gente que fala
que eu não tenho orgulho algum;
Essa gente que me explica
que é preciso que eu te pise,
que é preciso que me afaste,
que é preciso que eu procure recompor-me...
Provavelmente,
estão todos certos.
Mas,
certamente,
nenhum deles viu teu rosto como eu vejo agora.
10 de ago. de 2010
Além do Amor
canção de Vinícius de Moraes
Se tu queres que eu não chore mais,
Diz ao tempo que não passe mais.
Chora o tempo o mesmo pranto meu
- ele e eu -
tanto!
Que só para não te entristecer
Que fazer?
Canto;
Canto para que te lembres
quando eu me for...
Deixa-me chorar assim
porque eu te amo.
Dói a vida tanto em mim
porque eu te amo.
Beija até o fim
as minhas lágrimas de dor
porque eu te amo
além do amor.
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